O ocaso da cultura

O setor da cultura e do entretenimento vem sentido na pele os efeitos da crise. É preciso fazer algo para que ele não morra.


A cultura realmente parece não fazer parte das prioridades dos governos e nem das empresas. Quando o cinto aperta, os projetos culturais são os primeiros a serem cortados. Nesses tempos bicudos estamos sentindo na pele o enfraquecimento desse setor tão importante para o desenvolvimento, e o debate se faz necessário com o objetivo de encontrar alternativas para sustentar as atividades culturais. Caso isso não aconteça, corremos o risco de viver um verdadeiro ocaso cultural.

Sim, a cultura gera desenvolvimento e sua valorização é fundamental em qualquer sociedade. A cultura ajuda a criar e fortalecer valores. Ajuda as pessoas a desenvolver a percepção e consequentemente ter uma visão mais ampla do mundo. Mas, estamos diante de um momento difícil para quem trabalha e empreende na área cultural.

A possibilidade de extinção das secretarias de cultura não é o pior. Na minha opinião as secretarias de cultura não são as maiores fomentadoras da atividade cultural. Quem fomenta mesmo a cultura são os empreendedores que investem, os artistas e produtores que realizam, e principalmente o público que consome e está disposto a pagar pela cultura, mesmo que seja apenas os R$ 10,00 de um couvert artístico.

Sim, eu sou contra que a gratuidade em eventos culturais se torne um hábito. A oferta constante de eventos gratuitos cria um vício que prejudica o setor. Todos concordam que a cultura e a indústria criativa são setores importantes da economia e devem ser incentivadas. A questão é como.

O papel das secretarias vem sendo na maior parte das vezes “subsidiar” projetos fazendo com que artistas e produtores dependam eternamente do apoio do governo. Esse é o grande erro na minha opinião. A cultura precisa ser estimulada? Evidente que sim. Mas o estímulo deve vir de outra forma. Existem várias coisas que poderiam ser feitas.

Assim como acontece com igrejas e templos, os imóveis que abrigam negócios na área cultural poderiam ser isentos de IPTU. A obtenção do alvará poderia ser facilitada. Linhas de crédito poderiam ser disponibilizadas pelo BNDES ou outras instituições. Mais programas de profissionalização poderiam ser criados para profissionalizar melhor tanto artistas quanto empreendedores. O amadorismo é enorme! E finalmente, o incentivo ao patrocínio poderia ser simplificado. Em vez de enfrentar uma burocracia gigante para se aprovar um projeto cultural em qualquer lei de incentivo, toda empresa que patrocinasse projetos culturais deveria poder automaticamente abater um percentual dos gastos de seu imposto de renda.

Os efeito dessas medidas seria imediato. Se o Estado quer incentivar a cultura, o melhor que ele faz na minha opinião é sair de cena e fortalecer o mercado fazendo com ele se sustente sozinho!

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