O “mimimi” dos músicos nas redes sociais

Falta de apoio, insatisfações e frustrações são os assuntos mais comuns nos posts e comentários de quem tenta viver de música


Por Eduardo Marcolino

Infelizmente o que mais tenho visto nas redes sociais é uma choradeira geral, principalmente de músicos, cobrando “mais valorização”, “mais respeito”, “maior apoio” (de quem?), como se fosse um grandíssimo sofrimento ouvir a tradicional pergunta “mas você trabalha com o quê?” e coisas desse tipo.

Quem escolheu a música como profissão não pode fingir que não sabia das dificuldades! É um mercado complicado, assim como vários outros. Tem mais gente querendo viver de música do que gente disposta a pagar por música. Ou seja, a demanda é pequena e a competição é grande. Quem resolveu viver disso deve encarar as dificuldades do mercado e a realidade em que vivemos.

Hoje em dia não tem mais venda de CDs, o rock autoral está desvalorizadíssimo e é mais barato para bares/pubs contratarem um DJ do que uma banda (óbvio!). Além disso, você concorre com gente que toca de graça pra se divertir.

Todo mundo sabe disso e a realidade é essa há anos. Então por que se vitimizar quando você pode se valorizar por conta própria? E quando digo “valorizar”, não significa só tocar bem, e sim encontrar seu lugar no mercado. Não adianta ser o melhor sambista do mundo num lugar em que todos ouvem heavy metal. Não adianta querer dar aulas de clarinete se os adolescentes querem aprender a tocar baixo e guitarra. E por aí vai.

Esse mimimi todo não ajuda em nada. Ninguém vai te contratar por causa disso. Quem ganha dinheiro por pena é mendigo. Na verdade, para cada grupo de músicos se lamentando por falta de oportunidades em rede social, tem algum que está correndo atrás dos seus objetivos com mais inteligência e achando seu espaço, seja dando aulas, tocando com outros artistas, fazendo boas parcerias com os estabelecimentos, enfim, sendo eficiente de alguma forma.

E isso sem contar a falta de noção e auto-crítica.  Vejo muita gente se auto-intitulando “músico” e que só sabe o básico do básico de harmonia, guitarrista que mal afina um bend, vocalista que canta fora do tom, entre outros amadorismos.

Ninguém tem que te “apoiar”. Bares não precisam ter música ao vivo se não quiserem. O governo não tem obrigação de bancar músico com dinheiro público. Pessoas não precisam contratar bandas pra fazer festas. As pessoas consomem o que querem por vontade própria e pagam por serviços que julgam que valem o preço cobrado. E é assim que o mundo funciona, ainda bem.

Pra quem quiser ficar batendo a cabeça na parede e achando que o mundo vai mudar com suas lamentações, lembrem-se que ninguém vai ter pena da pessoa que quiser vender enciclopédia em tempos de Google.

*Eduardo Marcolino é guitarrista e flamenguista nascido em Niterói, fundador da banda de rock progressivo Anxtron e atualmente residente em Houston, EUA.

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