Faturando com o legado do Dire Straits

Italiano transforma banda cover em recriação do Dire Straits


Por Marcelo Reis*

Sou fã de carteirinha do Dire Straits e confesso que, ao ver a notícia de que ex-integrantes da banda estariam voltando com o grupo, fiquei balançado. Meu sonho sempre foi assistir um show ao vivo do Dire Straits, então decidi ir fundo nessa história e pesquisar sobre esse “revival” da banda que marcou a minha vida.

A primeira informação relevante é que Mark Knopfler, evidentemente, não está presente. Então, o negócio já fica muito comprometido. Mark era o Dire Straits, da mesma forma que Renato Russo era a Legião Urbana. Ele era o compositor das músicas, principal guitarrista, autor dos solos, criador da sonoridade inconfundível e fundador do grupo junto com o seu irmão David Knopfler, o baixista John Illsey e o baterista Pick Withers. Foi essa formação que gravou o primeiro álbum em 1978 com o clássico Sultans of Swing.

Após lançar dois álbuns, o grupo começou a sofrer mudanças na sua sonoridade com a saída de David Knopfler. O terceiro álbum da banda, Making Movies, de 1980, já registra essa mudança. As músicas, que antes tinham as levadas  das guitarras como principal referência, ganharam arranjos mais complexos.

No quarto álbum, Love Over Gold, de 1982, o grupo ganhou uma sonoridade quase progressiva que o levaria ao sucesso definitivo com a entrada do excelente tecladista Alan Clark.  A segunda guitarra ficou a cargo de Hal Lindes. Logo após o lançamento desse álbum, o baterista Pick Withers também saiu e foi substituído por Terry Williams.

A partir daí, o que se viu foi uma sucessão de músicos entrando e saindo da banda, mas Knopfler ainda estava lá. Quando ele decidiu sair em 1995, o Dire Straits acabou, o que comprova que ele era, de fato, o líder insubstituível e principal referência do grupo.

Mas a ausência de Knopfler não é um motivo para desqualificar o Dire Straits Legacy. Quem está nesse projeto merece respeito, a começar pelo baterista fundador, Pick Withers, que infelizmente não estará na turnê do Brasil. A segunda presença importante é o tecladista Alan Clark que, sem dúvida, foi o responsável por revolucionar a sonoridade da banda, conferindo-a um estilo quase progressivo. Com a entrada de Clark a guitarra de Knopfler deixou de ser a única referência marcante.

O álbum Brothers in Arms, de 1985, foi o ápice da banda e o Dire Straits deixou de ser conhecido apenas pela guitarra de Knopfler. Um exemplo disso é o sucesso Walk of Life, cujo riff antológico é feito pelo teclado de Alan Clark. Outro exemplo é o solo de sax no sucesso Your Latest Trick. O Dire Straits se tornou então uma mega banda que funcionava como uma empresa milionária, contratava e demitia músicos, até que seu principal membro fundador e compositor decidiu sair.

Então, o grupo que veremos em maio no Brasil reúne alguns desses músicos que tocaram no Dire Straits, e todos são excelentes! A começar pelo guitarrista Phil Palmer, músico com currículo invejável, que tocou com lendas como Eric Clapton. Palmer fez parte da última formação da banda, que gravou o álbum On Every Street.

O segundo destaque é, óbvio, Alan Clark, o tecladista que revolucionou a sonoridade do Dire Straits. O terceiro é o saxofonista Mel Collins, que além do Dire Straits, foi integrante de outras bandas importantes como o King Crinson, Camel e Alan Parsons Project. Enfim, o Dire Straits Legacy é uma super banda!

Mas, a grande pergunta é quem faria o papel de Knopfler. Talvez ai resida a maior curiosidade desse revival e única coisa capaz de comprometer sua reputação. O “Knopfler” e dono do novo Dire Straits é um italiano chamado Marco Caviglia. Marco tinha uma banda cover de Dire Straits e é um empreendedor com capacidade de investimento. Ele convidou Phil Palmer, que estava em situação financeira complicada, a participar da sua banda cover. Palmer aceitou e assim nasceu o Dire Straits Legacy.

Os outros ex-integrantes foram se juntando aos poucos ao grupo, que passou a ser divulgado não como uma banda cover, mas como a volta do Dire Straits. Essa é a grande questão que compromete o projeto. O Dire Straits Legacy, na verdade, é uma banda cover italiana que teve cacife para contratar músicos excepcionais que tocaram no Dire Straits original. Quem assistir aos shows, certamente verá em cena uma grande banda. A grande dúvida é se esse tal de Marco Caviglia é apenas o dono da bola, ou se ele joga mesmo!

*O autor é fundador do Rio Rock & Blues Club e fã de Dire Straits

 

 

 

 

Um comentário em “Faturando com o legado do Dire Straits

  • 07/04/2017 em 14:45
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    Por que o Rio de janeiro tá fora dessa ???
    Estamos num estado falido e caótico em todos os setores ???

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