O Rock envelheceu

Estilo não tem presença marcante em plataformas mais modernas para se consumir música


Por Marcelo Reis

Sabe aquele idoso que não se adapta às novas tecnologias, continua preferindo enviar cartas pelo correio do que escrever um email, não participa ativamente das redes sociais e vive das lembranças do passado? Pois assim está se tornando o Rock. Com seus 60 e poucos anos, o ritmo que foi o mais importante e influente do século XX está vendo o seu prestígio e poder acabar lentamente.

No mês passado, o Relatório Nielsen, que faz uma análise do mercado da música, mostrou que, pela primeira vez na história, o rock deixou de ser o gênero musical mais consumido nos EUA. Sim, exatamente o berço onde nasceu. O estilo foi superado pelo Hip Hop, 20 anos mais jovem. Nascido nos anos 50, o Rock não está acompanhando a modernidade e foi batido de forma avassaladora, exatamente na mídia mais recente: as plataforma de streaming. O hip hop responde por 30% dos streams enquanto o rock tem apenas 16%.

Entretanto, o rock continua forte nas vendas físicas, ou seja, na forma antiga de se consumir música. Nesse mercado, o rock domina com 40% enquanto o hip hop vende pouco. Entretanto o streaming é a forma de ouvir música mais utilizada pelo público jovem, o que significa dizer que, se não mudar seu perfil, o rock continuará perdendo influência e força.

Muitos artistas já classificam o hip hop como o novo rock, ao ser o estilo preferido dos jovens. Muitas vezes, hip hop e rock se confundem e muitas bandas mesclam os dois estilos. O fato é que a roda da evolução segue girando e passando por cima de quem não acompanha o seu ritmo. Para recuperar o seu posto perdido o Rock precisa deixar de viver das suas glórias do passado e apostar em novos ídolos.

*O autor é fundador do Rio Rock & Blues Club

 

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