A magia de um disco ao vivo

Gravações ao vivo são parte importante na discografia dos ídolos do rock


Por Marcelo Reis*

Sou o caçula de três irmãos. Por isso, fui privilegiado. Herdei deles uma vasta coleção de vinis. Tinha de tudo, mas principalmente rock. Eles viveram sua adolescência e juventude no final dos anos 60 e anos 70. A época de ouro do estilo, então, nessa coleção tinham pérolas de Alice Cooper, Grand Funk Railroad, Rare Earth, Eric Clapton, além de Beatles, obviamente. Eu ouvia tudo e adorava. Por isso, demorei muito para comprar o meu primeiro vinil, afinal, eles compravam e eu aproveitava!… rsrs…

O impulso de comprar um disco só aconteceu em 1984, quando ouvi uma fita cassete do álbum Alchemy, do Dire Straits. Fiquei absolutamente impressionado e apaixonado pela gravação daquele show ao vivo, visceral e impactante. Além de ouvir o álbum primeiramente em fita cassete, apresentado por um amigo, também assistia clipes do show que passavam nos telões das boates da época que eu frequentava. Então, pronto. Estava aí o primeiro estímulo para eu gastar meu rico dinheirinho comprando um disco.

Comprei e o resultado foi devastador… rsrs… perdi as contas de quantas vezes coloquei ele na velha pick up. Foram inúmeras! Passava noites acordado, ouvindo e tentando tirar os solos de Mark Knopfler na guitarra. Passei então, não apenas a admirar Knopfler e esse álbum propriamente dito, mas também a admirar os álbuns ao vivo.

Um álbum ao vivo é diferente. Todos os músicos sabem disso e adoram registrar suas performances. As gravações em estúdio são sempre mais frias, não permitem improvisos e os músicos se sentem muito mais a vontade quando fazem uma performance ao vivo. Nessa hora eles imprimem toda sua energia e paixão. Por isso, discos ao vivo são sempre especiais e muito valorizados na discografia de uma banda. Ali estão os registros das canções gravadas em estúdio, mas interpretadas com muito mais energia e paixão.

Com a evolução das técnicas de gravação, os discos ao vivo ganharam qualidade. No rol dos grandes, além do Alchemy, claro, incluo o impecável Comes Alive de Peter Frampton, que foi um dos mais vendidos da história, e Made in Japan, do Deep Purple. Depois de pegar o gostinho de comprar um vinil e desenvolver meu próprio gosto musical, a coleção de vinis da família Reis cresceu bastante, pois passou a ter a minha contribuição até o dia em que cometi o maior pecado da minha vida, do qual e me arrependo até hoje. Achei que o CD viria para ficar e os vinis se tornariam objetos absolutamente sem nenhuma utilidade e que teriam lugar apenas nos museus. Sim, eu cometi o erro de vender todos!

*Marcelo Reis é fundador do Rio Rock & Blues Club e do Rock Experience

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