The Kinks, a mais britânica das bandas.

A banda que melhor retratou a sociedade britânica e suas transformações.


Muito pouco conhecido no Brasil, os Kinks surgiram na mesma levada que fez despontarem Beatles, Stones, The Who e tantas outras bandas no cenário inglês.

Apesar dos Stones levarem a alcunha e fama de a banda mais delinquente, os verdadeiros arruaceiros do pedaço eram os Kinks. Constantes brigas em pleno palco, com momentos que chegavam às vias de fato, faziam da banda uma bomba relógio ambulante por onde passassem.

Formada pelos irmãos Ray (vocal e guitarra) e Dave Davies (vocal e guitarra líder), Pete Quaife (baixo) e Mick Avory (bateria), no início dos anos 60, a banda viu sua carreira explodir, depois de um início que quase custou seu contrato com a gravadora devido aos singles fracassados, quando lançou como a última bala do revólver, a música “You Really Got Me”.

Trazendo, para época, uma distorção pesada em seu riff, conseguido graças a alguns rasgos no alto falante do amplificar, segundo Dave Davies, a música é considerada até hoje a pedra fundamental para o desenvolvimento posterior do heavy metal e que tirou do primeiro lugar das paradas nada menos do que “A Hard Day´s Night”, dos Beatles.

Embarcando na mesma nau que assaltou os EUA, na chamada “Invasão Britânica”, os Kinks virão suas chances de explodirem no mercado americano, como aconteceu com seus contemporâneos, minguarem, quando foram proibidos de se apresentarem por cinco anos lá, devido a até hoje uma história mal explicada.

Alguns afirmam que os empresários da banda deixaram de pagar as taxas aos sindicatos do setor e foram impedidos então pela Federação Americana de Músicos. Outros que a proibição foi devida a uma briga entre Ray Davies e um diretor de TV influente, que cavou para que a banda fosse boicotada nos Estados Unidos.

O fato é que os Kinks viram sua chance de se lançarem mundialmente ir por água abaixo e portanto, voltaram-se para o mercado britânico então.

Porém há males que vem para o bem.

Vendo-se livre para não ter que corresponder as tendências musicais da época, Ray passou a compor e cantar sobre o dia a dia da sociedade inglesa e suas transformações.

Suas letras falavam sobre uma Inglaterra que aos poucos se tornavam antiga, aonde os valores do início do século XX, colidiam com a modernidade da Swinging London, e da qual Ray sentia falta e tanto amava.

São desta época álbuns da melhor fase dos Kinks, como “Face to Face” (1966), “Something Else” (1967) e “The Village Green Preservation Society” (1968), que apesar de serem fabulosos, venderam muito pouco no Reino Unido e praticamente nada nos Estados Unidos. Hoje, em qualquer lista de Melhores Álbuns de todos os tempos, os três figuram lado a lado com o que de melhor foi produzido até hoje.

Os Kinks só voltaram a tocar ao vivo nos EUA, a partir de 1969, mas aí os tempos eram outros e os álbuns posteriores alternavam em ótimos e medíocres, devido em muito ao descaso de Ray com indústria fonográfica em geral.

Um hit que fez razoável sucesso nesta época em solo americano foi “Lola”, do álbum “The Kinks Parte One – Lola Versus Powerman and the Moneygoround” (1970), em que os Kinks despejam toda a sua raiva e sarcasmo com a mídia em geral – gravadoras, TV, rádio – não livrando a cara de ninguém.

Os shows dos Kinks passaram a ser verdadeiros musicais, com atores interagindo com a banda, que àquela altura crescera absurdamente. Porém, isto não se refletia em sucesso de público ou crítica.

No final dos anos 70, o Kinks desiste de seus discos conceituais e passa a enveredar pelo hard rock, e é aí que a banda finalmente estoura nos EUA e resto do mundo.

Em razão dos altos e baixos entre os irmãos o grupo resiste até 1996, quando se separa, deixando uma enorme herança musical cultuada e influenciadora em bandas até hoje.

Se você nunca ouviu falar ou escutou a música dos Kinks, a internet está aí pra isso. Corra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *