O dia que vi “Deus” de pertinho ( e quando quase O vi pela segunda vez)

O relato de quem viu Clapton na primeira vinda, em 1990.


Por Paulo Vanzillotta

É impossível ser amante do Blues sem reverenciar o talento de Eric Clapton.
Não por acaso considerado o “Deus da Guitarra”, no Blues e outros estilos pelos quais se arriscou, no Rock, Reggae, Pop e até Eletrônico.

Lembro bem quando ouvi Clapton pela primeira vez…foi a música “Double Trouble”, clássico de Otis Rush, gravada ao vivo no Budokan Theatre (Tokyo) em dezembro de 1979.
Fiquei impressionado com todo sentimento que Ele entregou naquela gravação, devo ter ouvido umas cinquenta vezes seguidas até passar o impacto inicial, que na verdade não passou (graças a Deus!) e me tornei um grande fã Dele.

Anos mais tarde, abro o jornal e leio: Eric Clapton tocará no Rio de Janeiro!

Pirei!
Eu tinha obrigação de ir, e fui!
Triste foi aturar o Lulu Santos no show de abertura, não que ele seja tão ruim assim, mas em se tratando de abrir para “Deus”, quem poderia fazer bem o papel?
Eu chamaria o Celso Blues Boy, mas os produtores nem sempre têm a visão musical da coisa, apenas a comercial.

Bem…nem me lembro por quanto tempo Lulu Santos tocou…minha memória seletiva só recorda quando os primeiros acordes de “Pretending” ecoaram na Apoteose.
Vi marmanjos com olhos marejados tocando guitarras imaginárias e vivendo momentos que jamais serão esquecidos.
A turnê era para divulgação do último trabalho de Clapton, Journeyman, mas não faltaram os clássicos como Layla, White Room, Cocaine e Sunshine of Your Love.

Em 1990, Eric ainda lutava contra o alcoolismo e não estava na sua melhor forma, mas mesmo assim ainda era Ele, o Deus da Guitarra e eu estava lá, pertinho do palco, numa época em que não existiam a famigerada “pista VIP” e quem era fã de verdade é que encarava a maratona para ficar no “babódromo”.

Eu vi “Deus” pela primeira vez!

Em 2001 Ele veio novamente, na mesma Apoteose e lógico, nem cogitei na possibilidade de perder.
Ingresso parcelado em 3 vezes, carro estacionado bem longe do local e lá estava eu pronto para ver de perto meu grande ídolo.

Ao entrar encontro um amigo de longa data, que não via há anos…assim que me sentei na arquibancada o celular tocou…
Aconteceu um problema familiar grave e pasmem, precisei ir embora!
Imaginem a frustração!

Pois é…carrego até hoje o trauma de não ter visto “Deus” pela segunda vez, mas tudo bem, sei que minha pobre alma bluseira será salva no dia do arrebatamento, onde só os que tem bom gosto musical serão salvos.

Em tempo: Clapton is God!!!!!!!

*Paulo Vanzillotta é o dono da extinta Banca do Blues.

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