Band Aid, o dia em que o rock estendeu a mão.

Como a ação de músicos do rock fizeram a diferença, ou pelo menos fizeram a sua parte.


Por Antonio Gomes

Em 1984, portanto 33 anos atrás, um super grupo de músicos britânicos, sob o nome de Band Aid, foi formado com o intuito de buscar fundos para combater a fome na Etiópia, através da gravação de uma canção escrita exclusivamente para a ocasião.
O single “Do They Know It’s Christmas?” foi gravado em 24 de novembro daquele ano e lançado em 15 de Novembro, para aproveitar as vendas do Natal, e a generosidade que parece despertar no ser humano em momentos distintos da História.

Tudo surgiu após o líder da banda Boomtown Rats, Bob Geldorf, assistir um documentário no canal de televisão da BBC, sobre o sofrimento que a fome causava (causa) na população da Etiópia, na África. Isto tirou do marasmo um típico popstar inglês, de uma banda que somente conseguira um único hit nas paradas inglesas, e o colocou disposto a fazer algo que pudesse minimizar a dor e sofrimento dos famintos da Etiópia.

Juntamente com outro músico, Midge Ure, líder da banda, o Ultravox, começaram a acionar seus contatos entre os novos músicos de rock e pop do Reino Unido, para que viabilizassem um projeto de ajuda. Para isso compuseram uma canção, cuja venda tivesse seus lucros integrais revertidos para a causa.

Praticamente todos os nomes que tinham alguma relevância, naquela época, foram convocados para participar, além de alguns medalhões, como Paul McCartney, David Bowie e Phil Collins, estes com o intuito de serem um chamariz irresistível para a divulgação do projeto.

Na manhã do dia 24 de novembro, no estúdio Sam West, localizado em Notting Hill, Londres, um verdadeiro batalhão de estrelas da música, que abriram mão de qualquer cachê ( está era a condição imposta ), gravaram suas participações numa canção que vendeu mais 3,5 milhões, durante 13 anos consecutivos e arrecadou mais de 110 milhões de libras, destinados integralmente aos etíopes.
A letra da canção fala de lembrarmos dos menos assistidos, da fome, da miséria e que todos, inclusive estes, tem o direito ao Natal. Com certeza o trecho mais contundente e, porque não dizer, uma porrada na cara de todos nós, é o cantado Bono: “Well tonight thank God it’s them instead of you”, algo como “ Então esta noite (de Natal), agradeça a Deus por serem eles (a passarem fome) e não você”. Emociona e dói até hoje.

Participaram nomes como Sting; Adam Clayton e Bono (U2); Bob Geldof, Pete Briquette, Johnny Fingers e Simon Crowe (The Boomtown Rats); Steve Norman (Spandau Ballet); Midge Ure e Chris Cross (Ultravox); Simon Le Bon, Roger Taylor, Nick Rhodes e John Taylor (Duran Duran); Paul Young; Tony Hadley, John Keeble, Martin Kemp e Gary Kemp (Spandau Ballet); Glenn Gregory (Heaven 17); Marilyn; Keren Woodward, Sara Dallin e Siobhan Fahey (Bananarama); Jody Watley (Shalamar), Paul Weller (The Style Council); James “J.T.” Taylor, Robert ‘Kool’ Bell e Dennis J. T. Thomas (Kool & the Gang); George Michael (Wham!); Martyn Ware (Heaven 17); Francis Rossi e Rick Parfitt (Status Quo); Boy George e Jon Moss (Culture Club); Holly Johnson (Frankie Goes to Hollywood); Stuart Adamson, Bruce Watson, Tony Butler e Mark Brzezicki (Big Country).

Alguns permanecem ativos enquanto outros sumiram no tempo, mas o que importa é que em 1984, o rock e o pop se juntaram pra tentar fazer algo pelos mais desprovidos, além do conforto e riqueza do seu mundinho privado, e isto fez diferença.

Tanto fez que no ano seguinte, artistas americanos se reuniram em um projeto similar, e lançaram a canção “We Are the World”, que acabou juntamente com a idéia do Band Aid, criando o Live Aid em julho de 1985, com a participação da maior reunião de astros do rock e música pop de todos os tempos, em shows simultâneos na Filadelfia e em Londres, com a finalidade de também arrecadar fundos para a fome na África.

O rock, e o pop, podem ser bem mais do que apenas música.

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