Os 50 anos de HAIR

Embora o ano de 1967 seja o da primeira apresentação do musical HAIR, esta aconteceu apenas no circuito off-Broadway, o


Embora o ano de 1967 seja o da primeira apresentação do musical HAIR, esta aconteceu apenas no circuito off-Broadway, o que corresponde a pequenos teatros, muitas vezes escolares.

O fenômeno HAIR, como conhecemos, só tomou forma e relevância quando foi levado para a Broadway em 1968, e se tornou um dos musicais mais conhecidos e influentes da indústria do entretenimento.

O cerne da peça mostrava o inconformismo, ansiedade e busca de liberdade da juventude americana ( mas que bem poderia ser de qualquer lugar do Mundo), tendo como pano de fundo a emergente cultura hippie e a Guerra do Vietnan.

Temos a oposição dos dois polos protagonistas, a do jovem conservador  Claude, que se vê seduzido pela “Tribo”, participa dela, mas vive o conflito de ter ou não que corresponder aos sonhos ditados pelos pais, no que acaba aceitando a convocação e morre na Guerra do Vietnan, ao contrário dos demais membros da tribo, que queimam suas convocações.

O líder dos hippies de Nova York, Berger, conduz através das ruas e parques da cidade, sua trupe que vive como se não houvesse o amanhã, mas preocupados em colocar para o Mundo sua visão de mudanças, fugindo de tudo o que até então era a regra, passada de pai para filho, do comportamento social.

Como não poderia deixar de existir, desde que o Mundo é Mundo, há o interesse amoroso dos dois, personificado por uma garota politizada e com um pé ainda na burguesia, que entre e sai da vida dos dois.

Tudo isso é permeado por canções deliciosas e que entraram para sempre no inconsciente coletivo, o que ajudou em muito o sucesso do musical.

O grande trunfo, além da qualidade das músicas, foi debater e mostrar para a Sociedade, que existia de fato uma juventude que não mais queria assistir passivamente a vida passar.

Não, os jovens dos anos 60 queriam um mundo totalmente diferente daquele que até então havia sido imposto a eles, com o direito de escolherem seus destinos, roupas, cabelos, música etc etc, e fazer com que o Mundo parasse para repensar o porque de seguir a mesmice, sem contestar.

HAIR desde então, teve e tem inúmeras adaptações no Mundo inteiro, inclusive no Brasil em 1969 (e outra mais recente), sempre sendo sucesso de público, e em algum lugar do Mundo, agora mesmo, alguma versão está sendo montada.

Ok, o Mundo não se tornou o ideário hippie completamente, mas se você, meu jovem, hoje pensa por si, escolhe o seu caminho, tem seus direitos e sonhos respeitados, deve muito àqueles cabeludos que se colocaram dispostos a mudanças. O musical HAIR foi mais uma forma de difundir essas ideias.

 

  • Antonio Gomes é Editor da Rio Rock & Blues Club Magazine e assistiu trocentas vezes HAIR no cinema.

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