Dois anos sem Bowie

Hoje faz dois anos que Ziggy Stardust se despediu da Terra e retornou ao seu planeta natal.


Por Antônio Gomes

Hoje faz dois anos que Ziggy Stardust se despediu da Terra e retornou ao seu planeta natal.

Eu tinha quinze, talvez dezesseis, anos quando ouvi pela primeira vez uma música de David Bowie, na verdade não foi uma só e sim o álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars”, na casa de um amigo, durante uma daquelas frequentes matadas de aula.

Era estranho, diferente, não era progressivo, e chato, como o Yes ou Genesis, nem fácil de absorver como os Beatles, por exemplo. Mas era interessante ouvir canções que passeavam por regiões do glam, vaudeville, hard rock, mas ao mesmo tempo não se parecer com nada disto.

Não me apaixonei de cara por ele, mas o nome nunca mais me passou desapercebido, tanto que pouco mais de um ano depois comprei “Heroes”, um de seus álbuns da “trilogia de Berlim”, e para minha surpresa, o som era completamente diferente. Frio, mecânico, eletrônico, e genial.

Dali em diante passei a procurar por todos os discos anteriores, “Alladine Sane“, “Diamond Dogs“, que não eram fáceis de se encontrar por aqui nos anos 70, já que Bowie, na opinião das gravadoras, não era “viável comercialmente” ao paladar do brasileiro. Bom, não era mesmo.

A obra de Bowie por toda sua carreira foi uma sucessão de surpresas, com um artista que buscava a inovação acima de tudo. Sua música vivia em constante mutação, o que ora agradava a alguns, ora era odiada por outros, mas nunca passou indiferente.

Bowie pavimentou o caminho de muitos estilos para bandas que vieram depois, desde artistas new wave, eletro, gótico, hard rock e por aí vai. A busca por descortinar novos horizontes só cessou há exatos dois anos, em 10/01, quando Bowie, vítima de um câncer terminal, nos deixou.

Porém, como um artista que surpreendeu até o final, no dia de seu aniversário, no caso dois dias antes de sua passagem, lançou seu último álbum, “Blackstar”, que gravado em segredo, e já sabendo de seu pouco tempo, ele se despede em forma de canções que só passaram a fazer sentido imediatamente ao seu falecimento.

Artistas brilhantes existem, cada vez menos é verdade, mas nenhum deles conseguiu criar uma obra que transcedesse o sublime. Apenas um o fez. Bowie.

*Antonio Gomes é editor da Rio Rock & Blues Club Magazine e também um garoto, de 56 anos, que como tantos outros ama Bowie, Beatles e Rolling Stones.

 

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